quarta-feira, 22 de setembro de 2010

CARTÃO DE VISITA


"Hei, o seu coração é um músculo do tamanho de um punho.

...mas a ditadura autoritária do ódio - continua a fazer tantas vitimas sexuais, que tudo que eu posso fazer por nós dois é me libertar.

…É, será que eu posso só te dar - meu cartão de visita?!

…É que o amor ao mesmo tempo que nutre, deixa-nos fracos, agonizantes e cansados. É que o amor é um movimento de dar e receber num caminho de duas vias, um movimento de contração e dilatação, fluxo e refluxo.

O grande problema entre os amantes é quando há discrepância entre um movimento e outro. Se dou demais e não recebo, torno-me seco, triste e me canso. Se recebo demais e não dou nada, me torno um filho-da-puta inchado e egoísta. E no final de contas os amantes sempre apontam o dedo na cara uns dos outros, exigindo igualdade entre aquilo que dão e aquilo que querem receber.

Eu não quero saber de nada disso.
Eu quero todas as vias possíveis.

Me doar sem esperar que ninguém me responda da mesma forma, receber sem que ninguém exija de mim uma reação com a mesma força da sua ação. Eu quero é enfiar a cabeça e confundir aquilo que eu faço com aquilo que me é feito, sem distinção. Eu quero é amor e afirmação, e não o ego que espera pra poder agir. Se ninguém me escreve, eu cá estou me afirmando e me derramando ainda que outras pessoas estejam dormindo, ou trepando, ou na estação de metrô com a cabeça na lua.

Pra mim bastam as aberturas: o conteúdo e a forma de amar é a gente que determina. Eu quero é a paixão que me permite o extravasamento da mesma forma que o recolhimento, sem que isso signifique uma diferença na intensidade.

Eu quero é poder me calar e explorar outras formas além do verbo sem que isso signifique falta de diálogo. Eu quero é poder tirar a roupa e pisar em cima de raiva e desespero, sem me envergonhar da minha insensatez e insanidade. Eu quero é jogar na fogueira toda norma, toda teoria estéril e viver aos braços alheios. Jogado! A máxima consciência do outro, sair de mim e pairar leve no espaço que comporta todos os meus amores, eu que me apaixono todos os dias, pelos mesmos, pelos outros.

Não exigir nada de ninguém. Quero é comer as vírgulas e escrever e falar como as coisas me aparecem sem filtro sem máscaras sem medo. Se digo,”serei fiel a você”, estou demarcando um espaço silencioso além do alcance de outros desejos. Porque ninguém pode legislar o amor, ele não pode receber ordens ou ser intimado para o serviço.

O amor pertence a si mesmo, surdo a suplícios e imóvel à violência. E não algo que você possa negociar. É que o amor deveria ser uma carta de alforria ao invés de mais um contrato que nos costura exclusivamente ao outro e ao mundo do outro. Estamos amarrados um ao outro numa linha que criamos e não numa linha gasta e falida que a convenção nos concedeu, e isso é tão maior, porque além de amar a pessoa amada, amo também o amor. De que adianta amar um outro, se odeio, se detesto a forma com que o nosso amor é conduzido e enquadrado?

Quero viver dias onde eu me sinta tão pleno e tão completo eternizando dentro da minha cabeça todos os instantes, todos os ângulos que meus amores e a minha visão me permitirem. E que cada noite, ainda que mortos de sono ou de tesão, ainda que em movimentos bruscos ou na calmaria dos corpos e mentes já cansados, cada noite dessas eu me derreta pra depois me recolher maior, mais vivo e mais forte, mesmo sem demonstrar, mesmo sem ser percebido.

E saindo de casa com as olheiras fundas e um sorriso incontrolável no rosto. Na minha cabeça as velhinhas na rua com seus poodles e os comerciantes abrindo suas lojas se sentirão agredidos pelo meu transbordante sentimento cheirando e irradiando a violência que acompanha toda paixão. (...) Daí as vontades de dar voltas correndo pelo quarteirão, igualar a velocidade do meu corpo com a velocidade que corre aqui dentro de mim.

O que vai ser agora?

Eu não sou daqueles que tem respostas prontas, tão objetivas assim, mas procuro uma intensidade que só é suprida quando puder pensar sem medo que “mañana es otro día”, sem todo aquele peso de responsabilidade esmagando nossas cabeças e nossas possibilidades. Ainda temos tanto… Sinto que existem incontáveis potências a serem convertidas em atos, e a chama que eu tanto preciso pra me manter aquecido até que alcance o desejado estado de fervura. O estado radical da fervura, que se estende à todas as esferas da vida, desde a violência de uma mordida no pescoço, até o ódio ativo e construtivo à esse mundo insano e arruinado.

É que me sinto vivo de verdade quando posso desejar sem limites.

E sentir-se vivo de verdade é o passo crucial ainda que não se saiba o caminho…

A partir daqui e até o infinito possível..."


XchristopherX

escutando Sina Simone - "The look of love"



sexta-feira, 17 de setembro de 2010

...por quê???

Por que para mim não basta
aquilo que é o bastante
para todos?
Por que a Verdade rasga-se
diante de mim
e lança-me em rosto
Sua beleza?
Por que não posso apenas
ser como os outros,
e ter o olhar natural
de quem crê ser profundas
todas as superfícies,
satisfazendo-se com o pouco
que qualquer mínimo
pode oferecer?
Por que não sei contentar-me
com a banalidade,
e vejo a clareza da luz
onde o escuro se propaga?
Por que desejo ser só
o suficiente para ser de todos
e de ninguém...?
Que substância anjos distraídos
deixaram cair na massa
de que fui feita?
Que olhar me contemplou
e marcou com o selo
da inadequação absoluta?
Por que não sinto nada menos
que Deus como minha cara metade...???


CONFISSÄO


Confesso!
Sou dependente química!
Dependo da química
que rola entre as pessoas
para sobreviver.
Dependo!
Da química
entre meus amigos e eu
para ser quem sou!



Assim, à descoberto,
peço
aos traficantes da AMIZADE,
aos "aviöezinhos" deste pó mágico,
que näo me deixem sucumbir
sob a dependência
desta química essencial.
Pago com sangue
o d´Ele e o meu.
Estou vendida, amigos!
Sou dependente!
"HELPE-ME"

O QUE CADA UMA É

Felicidade 
é a descoberta 
de que dor e vida 
säo compatíveis. 
Näo  o avesso de nada, 
mas o complemento de tudo. 
Ante-sala da estabilidade emocional.
Alegria 
é a capacidade
de respirar mais do que a sorvos 
em meio a mares tormentuosos. 
Algo que se aprende, 
e reaprende... 
A dor de hoje
expande
a alegria de amanhä.
Causadora de espaços. 
e de humanidades.



catarse

Nasci para a palavra, pronunciada e escrita,
a ressoar no âmbito das consciências.
Nasci para esta dama, esta pessoa.
Nasci em mim desembocando nela
Palavra que me forma o profundo do ser
E faz-me cativa de suas composições mais íntimas
Que me arrebata coesão, coerência e contexto
E expõe-me ao sem nexo de
Amar-te
Palavra furtante que me furta constantemente
E faz-me amar-te mais a cada nascimento teu.
Neologizas meu coração
Como se nunca tivéssemos existido.
Lança-me em tuas novidades
Conjugadas às minhas necessidades
Estou, quase sempre, a ponto de perder-me
Até encontrar-me novamente
Em ti, novidade absoluta
Que renovas minha vida
Palavra que ressoa ao meu ouvido
Depois de furtado meu coração
Que queres de mim, que já não tenhas
Tirana amorosa a precipitar-me
Nos abismos de teus caprichos
Amo-te
E isto constitui-me por dentro
Como sabemos.
Quando penso tê-la perdido
Invades-me intimamente
A reclamar o que é teu
O que sempre foi teu
E será sempre teu!
PALAVRA
Aproprio-me de ti
E trato-te como coisa minha
Só minha
Que importa que outras bocas
Te exportem aos ares do mundo
Em mim, somos
Apenas nós
Que outros digam o que dizemos
Jamais será igual
Ou próximo ao que temos
Volto para ti
Amor único e verdadeiro
Da minha alma
Uma vez mais
E tantas quantas
Este exílio exigir
Volto para ti
Consumadas
Na fonética
Trinitária
Sintaticamente
Combinadas
Que fazer-me de ti?
PALAVRA.

Querer


Quero para mim
algo que não seja óbvio,
que não seja exato,
que não seja previsível,
que não seja humano
apenas.
Quero para mim
algo que ultrapasse os limites
do ilimitado,
a finitude do infinito,
que desvende o início
do eterno.
Quero para mim
algo que eu não possa conter
que eu não dê conta de apenas amar.
Quero para mim
algo suficiente para esquecer-me,
e limpo o bastante
para eternizar-me
Verbalmente.


Educação


Por todos os lados
cerca e tenta moldar-me,
retirar, colocar, modificar.
No entanto,
meus olhos estão abertos,
e tenho todo o direito,
e o dever
de escolher ,
eu mesma,
o que entra.
O que sai.
O que fica.
Admiro, repulso,
Surpreendo-me,
Amo!
Mas, acima de tudo,
Escolho!
Escolho hoje,
por ontem e por sempre.
Para o efêmero,
e para o eterno!
Não existem mais desculpas,
se perdi ou recebi,
se o amor faltou ou sobrou,
se a vida deu ou tirou.
Para mim,
não existem mais desculpas.
Vivo a plenitude
da consciência
de possuir nas próprias mãos
a minha vida.
Única!
Entendo a responsabilidade
de fazer dela
o que eu quiser.
Os 30 anos aproximam-se.
E com eles a clareza,
de que não é cedo
ou tarde demais
para nada,
jamais!
Escolho!
Educo-me!
E aceito o desafio
diário,
sofrido,
recompensante
de tirar de mim
o melhor,
e oferecê-lo
novamente
a quem depositou em mim
as sementes,
os amores,
a vida.
Sinto-me
em processo
educacional.
Aberta e crítica.
Sinto-me
plenamente
VIVA!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

A língua portuguesa, 'cá e lá'.

CLICK NA IMAGEM PARA AMPLIÁ-LA






























Lembrando também que a região GLÚTEA (bunda) lá se chama CU. Assim, quando a mãe diz que vai aplicar uma injeção na nádega do rapaz diz: 'vou aplicar uma pica no cu do puto' e se for uma palmada numa criança, fala: 'meto-te cinco dedos no cu, canalha'.
E o pessoal daqui preocupado com o trema, hífen...



Por  XchristopherX

ouvindo ASHES FROM RISE - "Interlude"
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